16 de abril de 2020 – falece Luis Sepúlveda

Luis Sepúlveda nasceu no dia 4 de outubro de 1949, em Ovalle, no Chile, numa pequena aldeia no norte do país, e morreu a 16 de abril de 2020 em Espanha, vítima de COVID-19.

Os seus progenitores eram menores de idade e tinham fugido juntos, sendo mesmo perseguidos pelas autoridades.

A sua mãe deu-o à luz numa pequena hospedaria.

Luis Sepúlveda iniciou a sua escrita enquanto frequentava o Liceu de Santiago do Chile.

Entrou nas fileiras da Juventude Comunista chilena em 1964, o que não o impossibilitou de continuar a escrever, desta feita poesia e contos de natureza mais séria.

Em 1969 publicou “Crónicas de Pedro Nadie”, compilação de contos que lhe valeu o Prémio Literário da Casa das Américas.

Em 1970 conseguiu um diploma em Encenação Teatral, atividade que também começou a exercer, dedicando ainda parte do seu tempo à política, à direção de uma cooperativa agrícola e à locução de programas de rádio.

Em 1973 tornou-se parte da estrutura militante do Partido Socialista, chegando a fazer parte do corpo de segurança pessoal de Salvador Allende.

Era ainda um estudante quando o General Augusto Pinochet chegou ao poder.

Encarcerado, foi julgado por um tribunal militar no mês de fevereiro de 1975, e acusado de traição à pátria e conspiração subversiva, entre vários crimes.

Escapou à pena de morte, bastante habitual em casos idênticos, sendo condenado a vinte e oito anos de cadeia.

Enclausurado em Temuco, estabelecimento prisional político, conviveu com alguns dos mais de trezentos professores universitários que Pinochet aprisionou.

Em 1977, graças à perseverança da Amnistia Internacional, viu a sua pena ser comutada para oito anos de exílio na Suécia.

Publicou o seu primeiro romance em 1989, “O Velho Que Lia Romances de Amor”, que rapidamente se revelou um sucesso internacional, tendo sido traduzido para cerca de trinta e cinco línguas.

Luis Sepúlveda consagrou a obra a um amigo assassinado pelo regime do ditador chileno.

Concedido finalmente o seu regresso ao Chile, ao fim de dezasseis anos de exílio, o autor continuou a escrever, publicando obras como “Mundo do Fim do Mundo”, “Patagónia Express”, “Diário de um Killer Sentimental”, “História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar”, “ Encontro de Amor num País em Guerra”, “ As Rosas de Atacama”e “Os Piores Contos dos Irmãos Grimm”, tendo este último sido escrito em parceria com Mario Delgado Aparaín.

Nos livros que se seguiram, “O Poder dos Sonhos”, em 2006, e “Crónicas do Sul”, em 2008, o escritor usa o seu país como tema da narrativa.

Ainda em 2008 o autor regressa à ficção com “A Lâmpada de Aladino”, 13 contos cujos temas vão desde a Alexandria de Kavafis, o Carnaval em Ipanema, até uma cidade de Hamburgo fria e chuvosa, a Patagónia, o Santiago do Chile nos anos 60, a recôndita fronteira do Peru, a Colômbia e o Brasil.

Em 2016 foi distinguido pelo Centro de Estudos Ibéricos com o Prémio Eduardo Lourenço.

 

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