Agustina Bessa-Luís (1922 – 2019)

A 15 de Outubro de 1922 nasceu em Vila-Meã, Amarante, Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa, conhecida no mundo literário por Agustina Bessa-Luís.

Agustina Bessa-Luís

Filha de Laura Jurado Ferreira e de Artur Teixeira Bessa.

Teve também um irmão mais velho, José Artur Teixeira Bessa, que faleceu a 15 de Fevereiro de 1978.

O pai, era oriundo de uma família de lavradores de Vila-Meã. Com 12 anos de idade partiu para o Brasil onde fez fortuna.

Mais tarde, regressou a Portugal e dedicou-se à administração de empresas de espectáculos e jogo.

A sua mãe era filha de uma espanhola, de Zamora, e de um português, engenheiro dos Caminhos de Ferro, nascido em Loureiro, Peso da Régua, no Douro.

As eventualidades da vida do seu pai levaram a família a mudar-se por diversas vezes de local.

Viveram em Gaia, no Porto, na Póvoa de Varzim, em Águas Santas, em Bagunte, Vila do Conde e em Godim, no Douro, na casa de família da sua mãe.

Mas seria a afinidade com a região duriense, durante largas temporadas da sua infância e adolescência, que viria a marcar fortemente a obra da escritora.

Desde criança que se manifestou o seu gosto pela escrita e pela leitura começando por ler os livros que o seu avô materno, Lourenço Guedes Ferreira, possuía na biblioteca.

Foi através destes que tomou contacto com alguns dos melhores escritores ingleses e franceses que lhe despertaram a arte narrativa.

Na sua adolescência chega mesmo a escrever dois romances com o pseudónimo de Maria Ordoñes: o primeiro “Ídolo de Barro”, que não publica, e o segundo “Deuses de Barro” do qual desapareceu o manuscrito, mas existe o datiloscrito.

A 25 de Julho de 1945 contraí matrimónio com Alberto Luís, no Porto, que conhecera através de um anúncio de jornal posto pela escritora procurando pessoa culta com quem se corresponder.

Agustina e Luís Alberto

Alberto Luís era estudante de Direito, na cidade de Coimbra, onde residiram enquanto o marido acaba o curso, mudando-se depois para o Porto onde fixaram residência a partir de 1950.

A sua estreia como romancista foi em 1948 com a novela “Mundo Fechado”, que já foi notada por Aquilino Ribeiro e pelo poeta Teixeira de Pascoaes numa missiva que lhe escreveu pouco antes de morrer e que só chegou ao conhecimento de Agustina dois anos depois da morte de Pascoaes.

Segue-se a obra “Contos Impopulares” compostos entre 1951-1953.

É no ano de 1953, com o romance “A Sibila”, ao qual foi atribuído o prémio Delfim Guimarães e Prémio Eça de Queiroz, no ano sequente, que Agustina Bessa-Luís é confirmada como uma das vozes mais importantes na ficção portuguesa contemporânea.

Desde então manteve um ritmo de publicação de um livro por ano, pouco comum nas letras portuguesas.

Algumas das suas obras tiveram adaptação ao cinema, nomeadamente com Manoel de Oliveira, com quem colaborou com assiduidade escrevendo os diálogos de guiões, ou acompanhando a adaptação de romances seus ao cinema.

A primeira adaptação de Manoel de Oliveira de um romance de Agustina foi “Francisca”, inspirado em “Fanny Owen” (1980). Seguiu-se “Vale Abraão” (1991/1992); “O Convento”, inspirado nas “Terras do Risco” (1995); “Party” (1996); cujos diálogos foram integralmente escritos por Agustina; “Inquietude” (1998) inspirado no conto “A Mãe de um Rio” (1981); “O Princípio da Incerteza” (2001); “O Espelho Mágico”, adaptado do romance “A Alma dos Ricos” (2005).

Em 1981 Agustina escreveu a redacção que acompanha o filme “Visita ou Memórias e Confissões”, realizado com uma equipa reduzida por ocasião da venda da casa da Vilarinha no Porto, de Manoel de Oliveira.

Em 2009 o cineasta João Botelho adapta a obra “A Corte do Norte”.

Algumas das suas obras foram adaptadas ao teatro, a primeira das quais o romance “As Fúrias” encenado e adaptado por Filipe La Féria, (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).

Na televisão cooperou no programa “Ela por Ela” (2006) em parceria com Maria João Seixas e realização de Fernando Lopes.

Tornou-se conhecida não só como romancista, mas também como autora de peças de teatro, guiões para cinema, biografias, ensaios e livros infantis, e a sua obra contou com mais de meia centena de títulos.

Agustina participou em inúmeros colóquios e encontros internacionais, e realizou conferências em Universidades por todo o mundo.

Foi ainda membro do Conselho Directivo da “Comunitá Europea degli Scrittori” (Roma) (1961-1962) e colaborou em várias publicações periódicas, tendo sido entre 1986 e 1987 directora do diário “O Primeiro de Janeiro” (Porto).

Entre 1990 e 1993 assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.

Foi ainda membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris) e da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa (Classe de Letras).

Recebeu diversos prémios, distinções e Doutoramentos Honoris Causa.

Faleceu, dia 3 de junho de 2019, na cidade do Porto.

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