Júlio Verne (1828 – 1905)

Júlio Verne é considerado o pai da ficção científica na literatura!

Como é que um indivíduo do século XIX conseguiu antecipar invenções e descobertas com tantos pormenores?

Mergulhar nas admiráveis aventuras de Júlio Verne é algo de verdadeiramente fascinante.

Júlio Verne foi um homem muito à frente do seu tempo e conseguiu associar a literatura, com a engenharia e a ciência nas suas obras.

Quando os motores elétricos eram inimagináveis e os submarinos ainda eram um devaneio, Júlio Verne concebeu o seu Náutilus, um submersível completamente detalhado e desenvolvido.

O submarino Nautilus

Júlio Verne foi responsável por forjar os detalhes das suas invenções nas suas obras literárias, oferecendo muitos dados e elucidando o leitor como elas funcionavam.

O escritor francês supôs, através dos avanços científicos e tecnológicos do seu tempo, as probabilidades, de as mesmas se virem a concretizar.

Júlio Verne é uma peça elementar na literatura, mas também vanguardista no campo científico.

Primeiros anos

Jules Gabriel Verne nasceu numa família burguesa, em 1828, na cidade de Nantes.

O seu progenitor era um advogado muito bem posicionado.

A infância de Júlio Verne foi bastante calma e próspera.

Existe mesmo uma lenda (que se acredita ser real) na qual dizem que Júlio Verne, ainda pequeno, tentou fugir, para se alistar como aprendiz de marinheiro numa embarcação com destino à Índia.

O seu pai descobriu a tempo fez-lhe jurar que a partir dali viajaria apenas com a sua imaginação.

Júlio Verne assim o fez e, como resultado dessas viagens, nasceram algumas das obras mais emblemáticas da ficção científica.

No ano de 1848, Verne, no auge inovador, mudou-se para a cidade de Paris, com a propósito de estudar direito.

Cidade de Paris em 1848

Júlio Verne estava certo de que era mais importante sustentar o espírito do que o seu próprio corpo.

Por essa mesma razão, ele despendeu o dinheiro que possuía para comprar livros e alimentou-se, por longos períodos de tempo, apenas de pão e leite.

Como resultado dessas privações que passou, Júlio Verne nunca foi muito saudável.

Nessa época que, convivendo nos círculos literários parisienses, conheceu Alexandre Dumas, com quem criaria uma grande amizade.

A vida familiar de Júlio Verne

Em 1850, após ter completado o seu curso de direito e contra a vontade do seu pai, Júlio Verne decidiu dedicar-se às letras.

No ano de 1856, ele conheceu Honorine de Viane Morel, com quem se iria casar em 1857.

Honorine de Viane Morel

Apesar do deplorável relacionamento com o seu pai, ele ofereceu-lhe 50 mil francos de prenda de casamento.

Em Paris trabalhou como corretor da bolsa, mas a sua carreira não deu bons resultados; Júlio Verne nascera para outras coisas.

Júlio Verne não encontrou a segurança emocional que esperava quando se casou.

Estavam constantemente zangados e como consequência começou a fugir dela sempre que podia, fazendo viagens de forma intempestiva.

Michel Verne, o seu único filho, nasceu em 1861, sendo um menino muito difícil.

Michel Verne

O próprio Júlio Verne chegou a interna-lo numa instituição correcional e num manicómio, fatos que marcaram uma relação de ódio entre eles, para a vida.

Aos 58 anos de idade, Júlio Verne foi atingido numa perna por uma bala, o que resultou num problema que ele nunca mais recuperaria.

Quem o baleou foi o seu jovem sobrinho Gaston.

Desconhece-se qual a motivação, porque tudo indicava que tinham um excelente relacionamento. Gaston foi internado num manicómio.

O submarino de Júlio Verne

Uma vida de viagens excecionais

A primeira etapa literária de Júlio Verne abrange os anos entre 1862 a 1886.

No mês de setembro de 1862, Júlio Verne conheceu Pierre-Jules Hetzel, editor que publicou a primeira das obras que compõem as Viagens Extraordinárias: “Cinco Semanas em Balão” (1863).

Cinco semanas em balão

Na sequência dos bons resultados, Hetzel presenteou Júlio Verne com um contrato de longo prazo.

Júlio Verne iria conceber muito mais obras de “ficção científica”, conseguindo dedicar-se ao que sabia fazer melhor, tornando-se um escritor em tempo integral.

A relação entre Júlio Verne e Hetzel foi tão fértil que duraria quatro décadas. A fase em que Verne escreveu os livros que constituem as “Viagens Extraordinárias”.

Júlio Verne tinha acabado de reinventar o género de livro de viagens e contribuiu muito para outros géneros, como de aventura ou de ficção científica.

Esta exemplar série de romances de aventura foi completamente visionária.

Uma qualidade única das “Viagens Extraordinárias” é que elas foram documentadas por dados científicos e geográficos existentes na época.

20 000 léguas submarinas

Entre os 45 livros de viagens, incluíam-se as famosas obras: “Viagem ao Centro da Terra” (1864) e “Da Terra à Lua” (1865), “Vinte mil léguas submarinas” (1870), “A Volta ao Mundo em Oitenta dias” (1872) e “A Ilha Misteriosa” (1874).

Em 1886, Júlio Verne além de já ser famoso mundialmente, também já tinha uma fortuna.
Durante este período, adquiriu vários iates e navegou por muitos países europeus.

Júlio Verne também colaborou nas adaptações ao teatro de várias das suas obras.

O devaneio de Júlio Verne

Durante o segundo período literário, da sua obra, que abrange desde 1886 até a sua morte em 1905, o tom dos seus escritos mudou completamente.

Júlio Verne começou a afastar-se da sua própria identidade, os textos não relatavam nem avanços científicos, nem aventuras ou explorações como os anteriores.

Começou a abordar os perigos da tecnologia forjada por cientistas cheios de soberba.

Júlio Verne adotou um tom mais negativista, mostrando os efeitos de determinados avanços científicos.

A alteração do tom teve lugar simultaneamente aos diferentes contratempos que ele encontrou na sua vida, nomeadamente as mortes da sua mãe e do seu mentor, Hetzel.

O terceiro período, a título póstumo, compreende o período de 1905 a 1919.

Neste período foi o seu filho, Michel, que editou várias obras.

“O Vulcão de Ouro” (1906), “A Agência de Viagens Thompson” (1907), “O Piloto do Danúbio” (1908) e “Os Sobreviventes de Jonathan” (1909), foram algumas dessas obras.

Vulcão de Ouro

Nessa época, o estilo dos escritos de Júlio Verne já era bem conhecido, e, como resultado, a crítica literária dizia que esses títulos póstumos estavam excessivamente contaminados e que Michel Verne tinha suprimido muitas das marcas registradas do seu pai.

Júlio Verne é um dos autores mais traduzidos do mundo.

A sua preponderância é tal que tem obras representadas no teatro e no cinema.

Le Voyage dans la Lune (1902) – Georges Méliès

 

O prestígio de Júlio Verne resiste até os nossos dias. É inacreditável como é que alguém conseguiu antecipar invenções que apareceriam muitas décadas depois.

A influência de Júlio Verne ultrapassa os campos da literatura e do cinema, chegando de forma bastante vincada ao mundo da ciência e da tecnologia.

Júlio Verne e suas viagens extraordinárias continuarão a fazer-nos recordar que “o que um homem pode imaginar, outro poderá realizar”.

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