1984 – George Orwell

O “Big Brother”

Winston, o personagem principal de 1984, o último romance de George Orwell, vive aprisionado na organização totalitária de uma sociedade completamente subjugada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive isolado.

Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão (Big Brother), a mais célebre personificação literária de um poder cínico e impiedoso, além de completamente vago de sentido histórico.

A famosa frase de “1984”

De fato, a ideologia do Partido predominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, autoridade do Partido, é quem explica a Winston que “só nos interessa o domínio em si.
Nem riqueza, nem ostentação, nem felicidade, nem vida longa: só o poder pelo poder, poder puro”.

Quando a obra veio a público em 1949, poucos meses antes do óbito do escritor, essa aterradora distopia datada de forma arbitrária num futuro indesejavelmente próximo logo experimentaria um incomensurável sucesso de público.

Imagem do filme de Michael Radford (1984) com John Hurt no papel de Winston Smith

Os seus principais ingredientes: um indivíduo sozinho provocando uma tremenda tirania; sexo furtivo e redentor; horrores mortíferos – empolgaram leitores de todas as idades, à esquerda e à direita do espectro político, com maior ou menor grau de formação.

À parte isso, a escrita esclarecida de George Orwell, os personagens fortes, delineados a carvão por um vigoroso desenhador de personalidades, a teia seca e crua e o tom de escárnio sombrio garantiram a entrada prematura de 1984 no restrito panteão dos grandes clássicos modernos.

Algumas das ideias centrais do livro dão muito o que refletir até hoje, como a contraditória Novafala imposta pelo Partido para renomear as instituições, as coisas e o próprio mundo, adulterando a realidade.

Afinal, quem desconhece hoje em dia “ministérios da defesa” dedicados a diligenciar ataques bélicos a outros estados, da mesma forma que, no livro de George Orwell, o “Ministério do Amor” é o local onde Winston será subjugado às mais rudes torturas nas mãos de seu suposto “amigo” O’Brien.

Muitos leitores leram 1984 como uma crítica arrasadora aos aguerridos despotismos fascistas do Velho Continente, de cujos horrendos crimes o mundo ainda tentava se recuperar quando o livro foi publicado.

Nos Estados Unidos, foi visto como uma ficção de terror quase cómico voltada contra o comunismo da hoje extinta União Soviética, então sob a chefia de Estaline e seu Partido único e inquestionável.

No entanto, suplantando todas as conjunturas históricas – e até mesmo a data futurista do título (1984), a obra exemplar de George Orwell ainda se estabelece como uma poderosa reflexão ficcional sobre os excessos delirantes, mas perfeitamente possíveis, de qualquer forma de domínio incontestado, seja onde for.

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