As Viagens de Gulliver

Jonathan Swift

Jonathan Swift (1667 – 1745)

Lemuel Gulliver é o único sobrevivente de um naufrágio. Gulliver, médico cirurgião de profissão, consegue alcançar uma praia desconhecida.

Esgotado, adormece.

Ao despertar, repara que está amarrado até os cabelos ao chão, sendo surpreendido por um homenzinho de menos de 16 cm que, do alto de seu queixo, segura um arco e flecha.

Quando dá conta, está na mira de dezenas, centenas de criaturinhas irritadiças.

O primeiro encontro entre Gulliver e os habitantes de Lilipute é uma das narrativas mais conhecidas no mundo literário.

Gulliver em Lillipute

As suas viagens vão leva-lo a outras terras tão ou mais estranhas, numa saga que se tornou um texto fundamental da literatura infanto-juvenil, sendo este um dos maiores equívocos sobre o clássico do irlandês Jonathan Swift: mal-humorado convicto, dizia não suportar as crianças.

Jonathan Swift não queria, pois, escrever para elas.

Numa missiva enviada ao seu amigo, o poeta Alexander Pope, asseverou que queria com a obra atacar o mundo, e não diverti-lo.

Em 1726, publicou o livro intitulado “Viagens em Diversos Países Remotos do Mundo”.

Viagens em Diversos Países Remotos do Mundo

Por meio do escárnio e sarcasmo, criou um retrato da natureza humana e abordou a sua mesquinhez.

No clamor do doutor (a quem escasseavam pacientes e restava vontade de viajar e desalento com a vida londrina), Jonathan Swift faz uma forte crítica a formas de pensar e à estrutura de nações, religiões e grupos sociais.

O tom de fábula e a prosa agradável, contudo, afiançaram fãs de todas as idades e o êxito desde a primeira edição.

Na primeira paragem em Lilipute (“As Viagens de Gulliver” dividem-se em quatro livros), o aventureiro partilha a sua visão sobre a população minúscula e cruel, que se opõe em dois partidos e resolve suas discordâncias em lutas.

Na fase seguinte Gulliver vai à terra de Brobdingnag, onde a situação é inversa, num território de gigantes 12 vezes superiores a ele.

Vivem supostamente em tranquilidade – conduzidos por reis opostos à violência -, mas imersos na arrogância.

Na terceira parada, Gulliver chega à ilha flutuante de Lapúcia, onde muito se pensa e pouco se executa.

As Viagens de Gulliver

Na última viagem chega à terra dos Houyhnhnms – equídeos inteligentes e íntegros que convivem com os rudes, grosseiros e descurados Yahoos, seres humanos usados como serviçais, na terra mais exemplar descoberta por Gulliver.

O percurso completo incluiu outros países de nomes estranhos (como Luggnagg e Glubbdubdrib) e até o Japão.

A forma de contar este enredo, cuja verdade é sempre destacada pelo narrador, acaba por ser uma paródia ao estilo literário em alta na época: os relatos de viagem.

O inglês Daniel Defoe publicou em 1719 “As Aventuras de Robinson Crusoé” com enorme sucesso.

Robison Crusoé de Daniel Defoe

A Inglaterra ainda vivia no decurso da expansão marítima e de novas descobertas.

Destacava-se o exotismo, as diferenças entre os britânicos e os nativos dessas terras.

Se Daniel Defoe (com o náufrago Robison Crusoé e outros escritos) expande o otimismo, o escritor irlandês é mais cético em relação às capacidades humanas.

Jonathan Swift foi impelido pelo inconformismo em relação à “burrice” do homem civilizado, principalmente com a política inglesa, responsável pela colonização, que deixara irlandeses colhendo os efeitos da pobreza, falta de alimento e trabalho, imigrando para os Estados Unidos.

Para o autor francês André Breton, um dos edificadores do movimento surrealista, no século 20, Jonathan Swift foi criador do humor negro na literatura.

Por mais que possuísse a sua própria visão política – sob forte predomínio do racionalismo e da moral anglicana conservadora -, ao redigir a sua maior obra escolheu socorrer-se de terras imaginadas, comparando as maneiras dos seus residentes com a sociedade europeia e a política inglesa.

O doutor Gulliver aprende sobre cada que atravessa, mas na passagem mais “evoluída” que encontra (com os cavalos íntegros) acaba renegado, pois apresenta semelhanças com a casta inferior, a dos humanos.

Ele então deixa os mares e continua sua vida isolada.

Os últimos anos de Jonathan Swift também foram de isolamento.

Escreveu ensaios sarcásticos.

Estava convicto de que a estupidez humana estava por trás de todos os males sociais.

Em 1736, adoece, fica surdo e diagnostica-se demência.

Hoje julga-se que tenha sofrido de Alzheimer ou da síndrome de Ménière, que altera o equilíbrio e a audição.

Hospitalizado num asilo, para o qual doaria quase todo o seu espólio, serviu de atração para curiosos (devido à sua enfermidade, e não à sua obra).

Foi sua última viagem. Morreu em 1745.

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