O Processo

FRANZ KAFKA (1883 – 1924)

 

Franz Kafka

“O Processo” de Franz Kafka conta a história de Joseph K., um bancário, que é processado sem saber a razão.

A figura de Joseph K. faz-nos recordar alguém que sofre sem que haja motivo para isso.

Kafka retratou um despotismo da justiça ao se ver com o poder nas mãos para castigar alguém, sem lhe dar oportunidade de se defender, ou ao menos saber por que estava a ser castigado.

Podemos levar o personagem de Joseph K., bem como de seus acusadores, para vários campos da vida humana:

Trabalho (quem nunca foi perseguido, sem que os seus acusadores lhe dissessem o porquê );

Na escola (quem nunca se viu, como Joseph, ao ser criticado pelo seu desempenho, sem que soubesse onde falhou, havendo apenas críticas vagas, às vezes de companheiros, às vezes dos próprios professores).

Religião (quem nunca foi surpreendido, como K. por um fanático enfurecido, afirmando que teríamos ofendido as suas leis divinas).

O Processo

A narrativa resume-se em poucas linhas:

Na manhã em que completava 30 anos, Joseph K. é retido na sua própria casa. Qual a acusação? Desconhecida. O tribunal? Confuso. O processo? Inacessível.

Apesar de estar detido, ele pode continuar a viver normalmente e a trabalhar. Mas toda a sua vida é metamorfoseada de acordo com os supostos procedimentos legais.

“No Processo”, os juízes, assim como todos os funcionários desse tribunal, aparentemente “paralelo”, são corruptos.

Os termos e os usos do processo são completamente herméticos, só se sabendo pequenas partes, e de forma indirecta.

Ainda assim, o processo mantém sua lógica interna, com os empregados, lugares e incriminados movendo-se infinitamente sem chegar a nenhuma conclusão.

 

Primeira cena do filme O Processo (Le Procès, 1962), de Orson Welles

Começa assim mais um dos estonteantes – para não dizer alucinogénio – pesadelo kafkaniano.

Conhecido por fazer os seus personagens viverem episódios aflitivos e insólitos, como num terrível pesadelo, Franz Kafka ataca repetidamente, fazendo com que os seus leitores reflitam sobre as incertezas humanas.

De início, Joseph K. de “O Processo” demonstra não se preocupar com o fardo judicial que se abate sobre si.

Contudo, com o desenrolar da prosa, o protagonista passa a envolver-se crescentemente com o caso, afetando inclusivamente a sua auspiciosa carreira profissional.

Joseph K. é procurador numa instituição bancária. O motivo do processo prossegue funesto até as últimas linhas do livro.

O Processo – Edição em BD

Tal como o incriminado, os leitores também não ficam a par, embora sejam recolhidas informações importantes sobre a obscura justiça no decorrer da árdua saga de Joseph K.

Por fim, Joseph K. é novamente abordado no domicílio, por funcionários da justiça – altamente burocrática e inatingível – diga-se de passagem.

Seu processo está no término.

Acabamos por nos solidarizar com o personagem, após nos emocionarmos com a sua ininterrupta luta pela liberdade absoluta.

Infelizmente a conclusão é chocante. Joseph K. é liquidado com uma atroz facada no tórax. Oficialmente, foi feita a justiça!

Do ponto de vista moral, o que se vê é o homicídio de um sujeito de bom caráter.

Mais uma vez, Franz Kafka leva-nos a uma dilacerante reflexão.

 

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